Dançar é muito mais do que puro divertimento. A execução de passos coreografados, repetidos dentro de um método e com orientação profissional, proporciona diversos benefícios para a saúde física e mental. Para as crianças, então, a dança pode ativar e desenvolver capacidades positivas que lhe acompanharão pelo resto da vida.
Com a dança, a criança trabalha e fortalece a musculatura, estimula a coordenação motora, flexibilidade, postura, tem maior consciência corporal, noções de espaço, além de melhorar sua integração social. Musicalidade, ritmo e criatividade também estão entre os ganhos.
“É uma atividade que exige concentração, pois as crianças aprendem a ter respeito a algumas regras da dança, assim como em qualquer outro esporte; desenvolvem a autoconfiança, porque, de certa forma, desafia um pouco o corpo; sociabiliza o contato com outras crianças”, diz Bianca Dore, professora de dança.
No início do aprendizado, os movimentos naturais de cada criança sçao os elementos da dança. As aulas tem caráter mais lúdico e descontraído, respeitando as condições físicas e psíquicas de cada idade, as necessidades globais e as aspirações de cada um.
Pensadores da área afirmam que a dança, aliada à educação, proporciona elementos que favorecem o desenvolvimento do ser humano, numa espécie de complementação de sua formação pessoal. Crianças que tiveram aulas de dança no período pré-escolar, certamente, terão mais facilidade de serem alfabetizadas, afirmam os teóricos.
Então, sapatilhas nos pezinhos!
Dança estimula disciplina e criatividade nas crianças
Obedecer os horários das aulas, zelar pelo uniforme e os acessórios, seguir à risca a coreografia e os ensinamentos. Para o professor Roosevelt Pimenta, o fator mais significativo no aprendizado da dança é a disciplina. Ele também destaca os benefícios físicos que a atividade gera, além da consciência corporal, musical — “As crianças aprendem a ter gosto pela boa música” — e também um conhecimento maior sobre o aparelho motor. O senso de pontualidade também é destacado pelo mestre.
Roosevelt considera o ensino da dança algo muito sério. Para ele, os movimentos devem ser transmitidos para as crianças de forma descontraída, sem a terminologia clássica tradicional.
“Se a criança vai ter que fazer uma flexão de tronco para a frente, dizemos que vamos dar um mergulho. Em outros momentos, lembramos bichinhos. É muito lúdico”, comenta.
Mas nem todos estão qualificados para ensinar os preceitos da dança a partir desse método, Roosevelt alerta. “Tem que prestar concurso para aplicar”, diz. “Sem esse método, podem aparecer sequelas como problemas de coluna, deslocamento de bacia”, alerta.
A professora de Natação, Graziella Brönnimann sempre gostou de dança e por muito tempo praticou sapateado. O destino a levou por outros caminhos distantes da dança. Graziella porém percebeu que sua filha herdou o gosto pelas coreografias e em outubro do ano passado matriculou a pequena Cathérine nas aulas de sapateado.
Hoje, ela já percebe os resultados. “Minha filha ficou mais extrovertida, desinibida. Ela vive dançando e cantando quando estamos na rua”, comenta a mãe coruja.
Além dos benefícios físicos e da socialização promovidos pela dança nas crianças, um caráter mais global envolve o seu ensino, já que há um envolvimento maior com outras artes e conceitos; música, artes plásticas, nutrição e educação física. Bianca Dore comenta que segue uma proposta diferente, no sentido de transformar a criança em um artista mais completo no futuro.